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O dia se esvai lentamente,
E a tarde quente,
De um dia de sol inclemente,
Começa agora a tomar
Direção diferente...
Ventos vindos do mar,
Tornam-se fortes aos poucos
E relâmpagos se ouvem ao longe.
Raios riscam os céus,
Por vezes produzindo sons,
Como se chicote fossem,
A estalar de encontro à carne,
Cortando-a a cada passada.
E olhando pela janela,
À minha frente aberta,
Por onde entra o frio vento,
Vejo gotas da chuva,
Que começam a açoitar o cimento,
E em meu peito cresce,
Este amargo sofrimento,
Que lentamente destrói o meu ser.
E tua imagem renitente...
Realmente insistente,
Teima em permanecer em minha mente.
E então sinto como se real fosse,
Teus negros cabelos de finos fios,
Ondulados, os ombros cobrindo,
Como véu de finas tranças...
E teu sorriso maroto,
Quando percebias que pelo espelho,
Teu rosto eu espiava,
E em teus olhos cintilava,
A alegria de menina.
E tu mansamente cantavas,
E tua voz me encantava...
E a cada frase pronunciada,
Uma casa desabotoavas,
Deixando à mostra o regaço,
De teu colo de alabastro,
Mostrando toda a pujança,
De teus seios arrebitados...
Grandes aréolas circulares,
Me deixando hipnotizado,
Com mamilos delicados.
E comigo tu brincavas...
Com os cabelos, os cobrias,
Muito embora não adiantasse,
E então largamente tu rias.
E com teu riso eles dançavam...
Num balet tão excitante,
Que me deixava enlouquecido.
E da banqueta levantavas...
Lentamente retiravas,
Fino tecido rendado,
Que tua intimidade cobria.
E de longe eu percebia,
Lindos pêlos perfumados,
Que nesga tão delicada,
Harmoniosamente resguardavam.
E para mim tu dançavas...
Dança lenta, afrodisíaca,
Que com minha mente mexia,
E meu sexo respondia.
Eras tu minha bailarina,
Nas danças de fino cetim,
De que eram feitos os lençóis.
Mas hoje já não te importas,
Passas por mim e nem olhas,
Já não te digo mais nada...
E com a alma apaixonada,
E a mente, em tua imagem agarrada,
Fico aqui tão solitário...
E quando por minha janela passas,
A dor aperta no peito...
Seca a garganta...
Os olhos mareja...
E soluços vêm à boca...
E eu sofro...sofro demais!
março/2002
El Brujo |