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De meu corpo fiz um barco,
E do teu, meu oceano...
Minhas mãos eram tarrafas,
Percorrendo teus recantos.
Minha boca era o sonar,
E com ela eu desvendava
Platôs, vales e montes,
Que formavam o teu corpo.
E nesse oceano naveguei.
E a cada viagem,
Nova descoberta aconteceu...
E percorri longo traçado,
Por entre montes elevados,
E de algas arrepiadas.
Lentamente me aproximei,
Da macia vegetação,
Que adornava teu vértice.
E ali, eu ancorei...
Por horas, mergulhei,
Nesse emaranhado
De crespos pêlos, perfumados,
E extasiado descobri
Uma delicada gruta,
De afrodisíaco odor,
Que demoradamente explorei.
E nela vislumbrei recantos,
E saliências também,
Me entregando a loucos sonhos.
O oceano então se transformava...
E ondas gigantes se formavam...
E ora era tormenta,
Que repentinamente explodia,
Em movimentos ensandecidos.
E teus olhos eram os faróis,
Que me guiaram nesse rumo,
Me mostrando o desejo,
Que deste oceano surgia!
Mas tristeza... a vida é fria...
E faz questão de mostrar...
Devemos viver, não sonhar...
E então veio a calmaria...
Em seguida a ventania...
De teu oceano me perdi...
Sem o teu leme a me guiar...
Em um instante pereci!
El Brujo
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