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Dia triste, melancólico...
Chega o verão, vindo ao longe...
E mesmo assim essa chuva,
Fina, feito névoa,
Insiste em molhar as ruas.
E a melancolia do dia,
Parece se entranhar em mim,
Pois fico aqui, sem ter o que fazer,
E então me vem à lembrança,
Felizes e curtos momentos passados.
Quando nos encontramos,
E teus olhos não acreditavam,
Que ali eu pudesse estar.
E nos abraçamos, como se a saudade
De anos passados longe,
Ali pudesse ser saciada.
E quando momentos depois, então,
Já em tua casa, te beijei...
Beijo lento, delicado...
Pois ali tinha que ser,
Ou a coragem para tal ato,
Me faltaria em momento seguinte.
Mas depois daquele beijo,
Primeiro instante passado,
Muitos se repetiram...
Cada vez mais assanhados...
E falamos de coisas diversas...
E nos rimos, e cantamos...
E ficamos sabendo mais um do outro.
E fizemos amor...
Sim! Fizemos na madrugada...
Eu, com receio de sermos descobertos,
E foi um amor silencioso...
Em que senti teu corpo morno,
Sob o meu, completamente entregue.
E o dia amanheceu...
E acordei contigo ao lado,
E te olhei, linda...
Cabelos soltos, molhados,
E te sorri... e senti que te amava...
De diferente forma talvez...
Mas sim... eu te amava...
E isto me assustava,
Pois nada podia te dar...
Nem minha vida, nem o amor
E uma tristeza invadiu meu corpo.
E o dia passou... a noite chegou,
Era a hora da partida,
Até à rua me acompanhastes,
E na despedida o peito doeu,
Vi lágrimas em teus olhos,
E me fingir de forte eu tive,
Pois minha vontade era te abraçar
E contigo também chorar.
E parti... sem olhar para trás.
Pois se o fizesse naquele momento,
Talvez não conseguisse me ir.
E quando em casa cheguei,
Senti, que de alguma forma,
Uma parte de mim,
Havia contigo ficado!
El Brujo
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