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Neste inicio de entardecer
Olhando, pela janela, vejo o mar
Ao horizonte, alaranjado sol
Deitando línguas de fogo
Como mantos sobre a água
Bem ao fundo embarcações
Conduzindo vidas, sonhos
Aos mais diferentes destinos.
Ventos gélidos me atingem a face
Desalinham os cabelos
E a fumaça do cigarro
Estático, ali no cinzeiro
Forma longas espirais
Como imaginária tormenta.
Mas o que me atormenta a mente
É teu corpo em desatino
Quando, nas tardes, nos amamos
A este louco prazer nos entregamos
Nus por aqui caminhamos.
E contemplo o teu corpo
Quando marota sorris
Por saberes do meu desejo
Por ti assim tão visível.
Nos abraços que são dados
Muito longos, apertados
Como se ambos quiséssemos
Nossos corpos num só fundir
Aparece de repente
O desejo já descrito
Meu sexo duro, em riste
O teu já orvalhado.
E de encontro à parede
Beijos sedentos trocados
Mordidas na nuca arrepiada
Nos tocamos, apertamos
Uma perna então erguida
Os sexos se procurando
Penetração consumada
Em certeira estocada
Respiração entrecortada
Por soluços de prazer.
E em movimentos lentos
Porém sempre tão certeiros
Maliciosos sussurros
E gemidos obscenos
O orgasmo vem chegando
De forma tão caudalosa
Uma torrente de prazer.
Então no beijo que trocamos
Fica a vontade concreta
Mas de forma ainda incerta
Amor outra vez fazer!
24/05/2002
El Brujo
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